Um longo dia.
É minha dose diária de alegria
Enquanto vou cedendo ao vício
De ter os mesmos sorrisos todo dia.
Mas nunca será o suficiente,
Nunca será o bastante
Enquanto isso não preenche o meu vazio.
E todo dia é esta mesma rotina
Buscando novas desculpas,
E novas saídas de emergência
Para sorrir e fingir,
E agir como se tudo estivesse no lugar.
Pelo tempo que me faz bem,
Eu continuo a me viciar
Sabendo as consequências do amanhecer,
Perdendo meu chão nos dias ruins.
Tudo faz parte de um belo teatro
No qual tento me convencer
Que é real.
Quem um dia realmente se importou
Se o sorriso não cobriu minha dor,
E se meus olhos entregaram minhas lágrimas?
Quem um dia quis entender,
Por trás de tantas máscaras,
O que realmente me preocupava?
Se não pôde perceber
Que a maquiagem do conforto está borrada,
Não me julgue por não reconhecer
O que verdadeiramente me faz bem.
O mal dessa abstinência de sorrisos passageiros
É não saber onde encontrar a verdadeira alegria.
(Fernanda Santana)

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